13/08/06

água humana



o mar
na sua longa meditação
nocturna
lança roucos gemidos
pela garganta dos rochedos.
ninguém chora
águas magoadas
niguém repara
que na cova das ondas
chegam proas de salitre.
nesta ponta do oceano
há um altar nú.
uma noite de amor
bocas ajoelhadas
oração de sal
niguém repara.
o rasto que se desvenda
à hora da vazante
só ao mar
diz respeito.




(fotografia de paulo sousa)

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