05/09/06

o vassalo



chamemos à tua ausência
um vulto silencioso
talhado nas escarpas da memória.
ainda há pouco eras um convento.
eu ajoelhado
tu estendida.
oração prolongada
olhar baptismal.
as rugas fazem agora
o seu passeio nocturno.
e não encontram
o altar
onde as nossas
mãos caiavam
os intervalos.
porque tudo era já.
nenhum sismo
abala
a casa ambulante
em que deixas
o alfinete-de-peito
eu
as calças de palhaço
tingidas de alegria.




(quadro de rembrandt)

2 comentários:

Anónimo disse...

Este texto é lindissimo, adorei, só quem partilha momentos tão esplêndidos pode escrever com tanto sentimento. não há sismo que abale essa casa. obgd. bjs

Ana Maria disse...

não é a vida um circo?
não seremos todos uns palhaços?
não estamos todos inocentes?
não haverá motivos?
de que motivo nasce o poema?