06/11/06

pensa



pensa
na divisória de granizo
onde a chuva
amolece a fúria
pensa
nas folhas de outono
que suturam
calçadas feridas
pensa
no colapso das máquinas
pensa
no que te digo:
gosto do negro em ti.
pensa
no que me dizes:
gosto do teu sabor a vício.
mas tenho medo
de perder o endereço do amor.
pensa num instante parado
entra em mim
olhos brancos
água de lavanda
pensa
no foragido desejo
dinamitado pelo beijo.
pensa pensa
a minha cama
é uma praça escura
meus seios
candeeiros azuis
só tuas mãos
ladinas
sabem acender
o resto do meu corpo.
pensa.





(quadro de salvador dali)

2 comentários:

Ana Maria disse...

Parabéns Alberto este poema é um verdadeiro músculo exercitado e cheio de força.
Muito bonito de se ler mais que uma vez_muitas ao som de um tambor!

yogui disse...

Não sei a que dedicas este precioso
poema.
Mas não é por isso, que deixa de ser precioso.
Esta pintora é a que mais me chega
de DALÍ
Um dos meus pintores preferidos de todos os tempos.